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    Dando a cara à tapa pela moda Afro
    Dando a cara à tapa pela moda Afro

    Falando sobre moda
    Rose Leal entrevista – Flávia Sacramento

    Feirense, a estilista Flávia Sacramento se define como uma pessoa de vanguarda, que pensa além do seu tempo. Depois de passar alguns anos se aperfeiçoando em moda em São Paulo e de ter trabalhado com estilistas famosos (da Cavalera e da Victor Hugo) retorna a terra natal para propor uma moda mais alternativa, mas com um toque bem regional e cultural. Ela aposta na moda afro para mulheres fortes, ousadas e que não têm medo de aparecer. Ela diz que esta dando à cara a tapa e se jogando para mostrar que Feira também tem espaço para a moda afro.

    Flávia como você define o seu trabalho?
    Meu trabalho é desenvolvido para mulheres com atitude, que tem identidade própria, que foge da mesmice. É um trabalho cultural, regional que eu busquei aprender no sudeste para implantar no nordeste.

    Quem é essa mulher que você veste?
    Uma mulher com identidade própria. Que tem ousadia porque para usar o que eu crio tem que ter ousadia. Ela tem que querer isso. É para chegar a um lugar e ser nortada. Minha moda é étnica e para pessoas estilosas e de atitude.

    Então é uma mulher forte e não necessariamente uma mulher negra?
    Minha moda independe da raça. A princípio eu pensei em fazer moda só para as mulheres negas, mas por que esse apartheid também na moda, não é mesmo? As mulheres brancas, especialmente as baianas também carregam a nossa cultura, o nosso jeito de ser, a nossa alegria e tudo isso pode ser valorizado também nas roupas. Existem mulheres fortes em todas as raças. As minhas peças são para essas mulheres: as que não têm medo de aparecer.

    De onde vem a inspiração?
    A minha inspiração vem da cultura africana. Das estampas coloridas, dos tecidos fluidos, leve que deixem a mulher mais a vontade das tribos da África. Minha inspiração vem da vontade de propor uma moda com mais leveza e liberdade no dia a dia.

    Onde você pretende com a sua moda?
    Hoje eu penso grande. Não quer fazer moda só para as minhas amigas. Quero que Feira conheça uma moda mais alternativa, quero mostrar que Feira também tem talento na moda. Quero mostrar o diferente. Chequei para dar uma “curva” na moda em Feira. Não é fácil, é complicado lidar com a autoestima e querer implantar um novo conceito. Mas é possível. A moda também é isso: valorizar o que temos de melhor.

    Como a moda chegou até você?
    Minha mãe era costureira e desde pequena eu admirava ao a ver cortando e costurando e depois as roupas prontas e me apaixonei. Aos 13 anos aprendi sozinha a manusear a máquina e quando ela saia eu usava a máquina, quebrei muitas agulhas, mas aprendi. Trabalhei em fábricas de costuras e depois fui estudar moda em São Paulo. Sempre gostei de criar e de fazer as minhas próprias roupas porque não gostava de ter uma roupa igual. Uma das pessoas que me influenciou muito foi a negra Jhô, que era vizinha de minha mãe. Achava ela linda, com aquelas amarrações. Uma mulher de atitude. Ai fui me aperfeiçoando, estudei e na faculdade defendi no meu Trabalho de final de curso, o TCC, sobre a moda africana.

    É difícil fazer moda na Bahia?
    É complicado, mas não é difícil. É preciso também ter atitude, mostrar um trabalho diferente. A moda na Bahia esta crescendo muito. Sempre vou a Salvador para pesquisar, porque a cultura lá é mais forte. Aqui em feira as pessoas ainda não estão muito acostumada com o alternativo. Mas eu estou aqui para contribuir para essa mudança.

    Com qual estilo você se identifica?
    Eu me identifico muito com as saias e vestidos longos e os chemises para as mulheres. Gosto de valorizar a sensualidade da mulher. Para os homens eu aposto nas batas.

    Um desejo?
    Desejo crescer na minha profissão. Ser reconhecida

    Uma frase?
    Sem luta não há vitória

    Conselho fashion?
    Procurar sua própria identidade. Ampliar seu campo de visão. Explorar. Valorizar a sua cultura.

    Onde encontrar a moda de Flávia Sacramento
    Na Toca Maré, que fica na Adenil Falcão, 1347.


     

    POR: Rose Leal
    CATEGORIAS: Notícias
    TAGS: Moda, Afro, entrevista, estilista feirense, amo, moda

sobre / rose leal
Perfil Rose Leal
Jornalista por formação e vocação Rose Leal é uma mulher inquieta, curiosa, questionadora. Uma aprendiz da vida. Urbana, adora a vida na cidade, mas não dispensa um bom passeio, não importa se para o campo ou para a praia. Defensora das calçadas livres para os pedestres e viciada em revistas de moda. Simples, mas nada básica. Sempre a mil, decidiu, há quase seis anos, colocar as opiniões e ideias sobre moda em um blog. Assim surgiu o Barbarella Moderna. O nome d... (+)
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